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Voluntariado na escola: uma urgência para formar jovens mais conscientes e cidadãos

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A obrigatoriedade de programas estruturados de voluntariado nas escolas - públicas e privadas - deveria estar no centro do debate sobre educação e formação de jovens no Brasil. Em um mundo marcado por polarização, desigualdade e excesso de individualismo, a escola não pode ser apenas o lugar da prova, da nota e do vestibular. Ela precisa ser também um espaço de formação cidadã, de empatia e de compromisso com o bem comum. E poucas ferramentas são tão concretas e transformadoras, nesse sentido, quanto o voluntariado.

Quando um jovem participa de ações voluntárias de forma organizada - não apenas "eventos pontuais", mas programas pensados, acompanhados e avaliados - ele aprende na prática aquilo que nenhum livro didático é capaz de ensinar sozinho. Aprende a lidar com realidades diferentes da sua, a ouvir histórias de vida, a respeitar diferenças culturais, sociais e econômicas. Descobre que problemas sociais não são abstrações dos noticiários, mas rostos, nomes e territórios. Esse encontro com o outro, mediado por educadores preparados, é uma aula viva de ética, cidadania e responsabilidade social.

Do ponto de vista pedagógico, o voluntariado também dialoga diretamente com competências essenciais do século XXI. Projetos sociais envolvem planejamento, trabalho em equipe, resolução de problemas reais, criatividade e comunicação. Ao ajudar a organizar uma campanha de arrecadação, um reforço escolar comunitário, uma horta urbana ou ações em abrigos e instituições sociais, os estudantes desenvolvem habilidades socioemocionais e competências de gestão de projetos que serão fundamentais em qualquer trajetória profissional. Ao mesmo tempo, vivenciam valores como solidariedade, compromisso, respeito e resiliência.

Outro aspecto importante é o impacto na própria comunidade escolar. Quando a escola se abre para o território - para o bairro, o entorno, as organizações sociais locais - cria-se um fluxo de mão dupla: os estudantes aprendem com a comunidade, e a comunidade também se beneficia da energia e das soluções trazidas pelos jovens. A instituição deixa de ser uma "ilha" isolada e se torna um agente ativo de desenvolvimento social. Isso reforça o sentido de pertencimento dos alunos, que passam a enxergar a escola como algo maior do que um lugar onde "se cumpre obrigação".

Há, ainda, um ganho estratégico para a própria sociedade brasileira. Ao incluir o voluntariado de maneira estruturada desde cedo, formamos gerações que entenderão o engajamento social não como caridade eventual, mas como parte natural da vida adulta: seja participando de organizações da sociedade civil, seja influenciando políticas públicas, seja atuando em programas de voluntariado corporativo em suas futuras empresas. Em outras palavras, o jovem que aprende a se envolver hoje tem mais chance de se tornar um adulto comprometido amanhã.

Para que isso funcione, porém, não basta obrigar "atividades voluntárias" no papel. É preciso falar em programas estruturados: com objetivos pedagógicos claros, parceria com organizações sociais sérias, supervisão de educadores, formação de professores para esse tema e avaliação contínua das experiências. Também é fundamental garantir que o voluntariado não se transforme em exploração ou em simples "hora de atividade" para preencher currículo. O foco deve ser o aprendizado significativo do aluno e o respeito às comunidades envolvidas.

Se você tivesse que convencer uma escola a dar o primeiro passo, que tipo de projeto de voluntariado para jovens imagina que faria mais sentido no seu contexto?

Roberto Ravagnani

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