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OAB pede transferência de presídio ou prisão domiciliar para Deolane

OAB-SP diz que acompanha o caso exclusivamente em relação às prerrogativas profissionais previstas em lei, já que Deolane é advogada


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A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo se juntou à defesa da advogada e influencer Deolane Bezerra em pedido de habeas corpus feito à Justiça. Deolane se tornou ré na última semana pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ela é acusada de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em seu pedido, a OAB-SP solicita a transferência de Deolane da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, onde ela está desde o dia 22 de maio, para prisão domiciliar ou para uma Sala de Estado-Maior. Segundo a entidade, a instituição carcerária onde a influencer está presa "não se enquadra nos parâmetros definidos pela jurisprudência para caracterização de Sala de Estado-Maior".

Em nota, a entidade destaca que a atuação da Ordem "não guarda relação com o mérito das investigações, com a legalidade da prisão ou com a defesa técnica da custodiada, restringindo-se à tutela das prerrogativas profissionais asseguradas em lei".

"A OAB-SP informa, também, que em relação a eventual infração ético-disciplinar, os fatos estão sendo apurados pelo Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-SP, inclusive quanto à aplicação ou não de medida cautelar de suspensão preventiva do exercício profissional da advogada Deolane Bezerra Santos, em conformidade com as normas da OAB, assegurados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa", destaca o órgão.

Justiça aceita denúncia e advogada vira ré

Na última quinta-feira (18/6), a Justiça aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e tornou Deolane Bezerra ré. A denúncia foi oferecida pelo promotor Lincoln Gakiya no último dia 10/6.

Segundo documento obtido pelo Metrópoles, a advogada e influenciadora atuava como receptora de valores ilícitos provenientes da Transportadora Lado a Lado, operada em benefício do PCC. Relatórios revelaram movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada por Deolane, no valor apontado de mais de R$ 27 milhões.

Além dela, foram denunciados Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo da facção criminosa; seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior; seus sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho; e Everton de Souza, conhecido como Player ou Temer, considerado operador financeiro do PCC.

Entenda a cronologia da operação contra Deolane e o PCC

A investigação iniciou-se em 2019, quando policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.

Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime organizado e a possíveis ataques contra agentes públicos.

A Polícia Civil notou a menção a uma "mulher da transportadora", que teria feito um levantamento de endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques do PCC, e chegou a uma transportadora, o que deu início à segunda etapa da investigação.

Batizada de Lado a Lado e deflagrada em 2021, a operação revelou a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC, além de movimentações financeiras incompatíveis e crescimento econômico sem lastro.

Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam um celular com indícios de repasses financeiros a Deolane, além de estreitos vínculos da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.

Deolane, segundo os investigadores, passou a ocupar posição de destaque no caso, em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com o comando do PCC.

Os levantamentos apontaram recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição de bens de alto padrão, o que fundamentou o desdobramento desta quinta-feira.

Metrópoles


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