Brasil

Deputado do PSD pede que TSE investigue crescimento digital de Augusto Cury

Ação aponta suspeitas de compra de seguidores, engajamento coordenado e uso de mecanismos automatizados nas redes do candidato à Presidência


Imagem de Capa

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

Instagram Facebook Youtube Twitter

ACESSE NOSSAS REDES SOCIAIS
PUBLICIDADE

O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) protocolou, nesta terça-feira (8/9), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma ação para investigar se a campanha de Augusto Cury (Avante) (foto em destaque) à Presidência da República inflou artificialmente o alcance nas redes sociais.

O pedido mira também o candidato a vice na chapa de Cury, Júlio Delgado (Avante), e aponta suspeitas de compra de seguidores, engajamento coordenado e uso de mecanismos automatizados.

Otoni sustenta que teria ocorrido abuso do poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social em benefício da candidatura de Augusto Cury. O caso está nas mãos do corregedor-geral eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira.

Na ação, o candidato à reeleição afirma haver "indícios" de que teriam sido utilizados mecanismos para ampliar artificialmente a audiência e o engajamento digital da candidatura e aumentar sua exposição na disputa eleitoral.

Otoni de Paula aponta como possíveis irregularidades a aquisição artificial de seguidores, a produção coordenada de engajamento e o eventual uso de sistemas automatizados ou fazendas de cliques para gerar tráfego, seguidores, interações ou buscas.

O deputado pediu que o TSE investigue se houve uso de dinheiro ou de estruturas para produzir esse crescimento.

Se as irregularidades forem comprovadas, Otoni de Paula defende que a Corte Eleitoral casse o registro da chapa de Augusto Cury e Julio Cesar Delgado. Ele também pede que quem tiver participado ou concordado com a eventual operação seja declarado inelegível e fique impedido de disputar eleições.

A iniciativa leva ao TSE uma suspeita que vinha circulando entre adversários do candidato do Avante. Algumas das principais campanhas ao Planalto passaram a discutir uma ação depois que o perfil do escritor registrou aumento de mais de 2 milhões de seguidores no Instagram em poucos dias e, paralelamente, Cury avançou nas pesquisas eleitorais.

O presidenciável nega que tenha havido qualquer manipulação. No último dia 1º, ao ser questionado sobre as suspeitas, Cury alegou que o crescimento foi espontâneo e argumentou que sua campanha gastou entre R$ 20 mil e R$ 50 mil para promover conteúdos.

"Excelente que se investigue, porque foi completamente espontâneo", ressaltou. O escritor atribuiu tanto o aumento de seguidores quanto o avanço nas pesquisas ao cansaço de parte do eleitorado com a polarização política.

Ganhos no Instagram

A ação apresentada nesta terça se concentra principalmente no comportamento do perfil do candidato no Instagram no fim de agosto.

Segundo os dados levados ao TSE, Augusto Cury tinha cerca de 8,3 milhões de seguidores em 23 de agosto, quando participou do primeiro debate presidencial, na Band. Dois dias depois, em 25 de agosto, o perfil estava na faixa de 8,5 milhões.

O salto ocorreu nos dias seguintes. Segundo o levantamento, o perfil registrou cerca de 686 mil novos seguidores em 26 de agosto e outros 1,2 milhão no dia seguinte. Já na primeira hora de 28 de agosto, teriam entrado mais 146 mil.

Em um dos intervalos de 24 horas analisados pelo estudo, o aumento teria chegado a aproximadamente 1,6 milhão de seguidores. Em cerca de três dias, o ganho teria alcançado 2,4 milhões.

Até então, segundo o levantamento, o perfil costumava crescer entre 1 mil e 3 mil seguidores por dia. A ação afirma ainda que, entre 23 e 29 de agosto, a conta do presidenciável teria crescido 18 vezes mais do que as de todos os demais candidatos à Presidência somadas e que parte dos novos seguidores teria chegado durante a madrugada.

Otoni de Paula usa ainda a repercussão do escritor fora do Instagram para questionar se o crescimento teria ocorrido naturalmente. No dia em que o perfil registrou o salto de cerca de 1,6 milhão de seguidores, teriam sido identificadas 16,7 mil menções a Augusto Cury em redes sociais abertas, portais e blogs.

No mesmo levantamento, Lula apareceu com 367 mil menções; Flávio Bolsonaro, com 239,1 mil; Renan Santos, com 73,2 mil; Ronaldo Caiado, com 57,4 mil; e Romeu Zema, com 26,2 mil. Pelos dados apresentados na ação, o candidato do Avante teria sido o menos mencionado entre os presidenciáveis analisados naquele dia.

"No momento em que milhões de novas contas passaram a seguir Augusto Cury no Instagram, não se verificou movimento minimamente proporcional na discussão pública sobre sua candidatura. Ao contrário, Cury ocupava a última posição entre os candidatos analisados em volume de menções", diz a ação.

Segundo a análise feita por Otoni de Paula, o crescimento também não teria se repetido na mesma proporção em outras plataformas. No período analisado, o estudo contabilizou 841,7 mil interações do escritor no Instagram e 8,2 mil no TikTok.

Outro ponto apresentado ao TSE é uma análise de aproximadamente 12 mil comentários feitos no perfil do candidato. Segundo o levantamento, 39% eram formados apenas por "70", "70✅" ou variações semelhantes, em referência ao número usado pela candidatura na eleição.

A análise também teria encontrado contas sem publicações próprias e que seguiam muito mais perfis do que tinham seguidores. Para Otoni de Paula, esses dados seriam indícios de que parte das interações poderia ter sido produzida de forma coordenada ou artificial.

O documento menciona ainda um aumento de cerca de 5.000% nas buscas pelo nome "Augusto Cury" na Índia, segundo dados do Google Trends. Otoni relaciona a informação à existência, naquele país, de fornecedores de serviços de seguidores e interações artificiais, mas não apresenta o dado como prova de que a campanha tenha contratado esse tipo de serviço.

Otoni pede que o TSE solicite à Meta, dona do Instagram, informações sobre a origem dos novos seguidores, como eles chegaram à página do presidenciável, qual teria sido o alcance obtido por conteúdos pagos e se a plataforma identificou ou removeu contas por comportamento artificial ou automatizado.

Ele também pede que esses dados sejam comparados com os gastos declarados pela campanha para verificar se houve despesas não informadas, dinheiro de terceiros ou recursos de origem proibida.

"A circunstância de ainda não estar identificado quem contratou ou financiou essa operação não afasta a investigação. Há elementos concretos de uma operação artificial e de benefício direto à candidatura", diz a ação.

Metrópoles


NOTÍCIAS RELACIONADAS

Mais lidas de Brasil veja mais
Últimas notícias de Brasil veja mais