Professores de escolas particulares de Belo Horizonte afirmam estar sofrendo pressão de direções para deixar a greve iniciada pela categoria. Os relatos foram encaminhados ao Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro-MG), que notificou instituições de ensino e informou que pretende levar as denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
A paralisação por tempo indeterminado foi aprovada em assembleia na quarta-feira (16). A decisão ocorreu após os docentes rejeitarem uma proposta do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG) para separar, a partir de 2027, as convenções coletivas dos professores da educação básica e do ensino superior.
Segundo a presidente do Sinpro-MG, Valéria Morato, o sindicato recebeu diversas denúncias de abordagens individuais e possíveis casos de assédio. Ela também afirmou que algumas instituições teriam colocado estagiários e monitores para assumir atividades em sala durante a paralisação.
O sindicato informou que sua equipe jurídica estava preparando a documentação para encaminhar o caso ao MPT ainda nesta quinta-feira (17). A entidade também afirmou que as escolas foram comunicadas sobre o entendimento do sindicato quanto à legalidade da greve.
O Sinepe-MG, por sua vez, negou ter orientado ou registrado casos de assédio contra professores. A entidade declarou que as escolas precisam se organizar para comunicar famílias e estudantes sobre o funcionamento das instituições. O sindicato patronal também questiona a paralisação na Justiça e afirma que a greve seria abusiva e ilegal.
Representantes do Sinpro-MG e do Sinepe-MG se reuniram nesta quinta-feira para discutir a situação. De acordo com Valéria Morato, os empregadores apresentaram a possibilidade de alterar duas cláusulas, mas os detalhes ainda não haviam sido informados.
Uma nova assembleia dos professores está prevista para sexta-feira (18), quando a categoria deve avaliar a continuidade da greve. Também estão programadas manifestações na Praça da Assembleia, no bairro Santo Agostinho.
O Sinpro-MG estima que aproximadamente 700 professores de 34 escolas tenham aderido à paralisação. Já o Sinepe-MG afirma que a maioria das instituições continua funcionando e que seis das 811 escolas particulares da capital relataram dificuldades.
metrópoles