A projeção de crescimento de inflação em 2026 foi reduzida para 4,9%, ante 5,1% anteriormente, segundo relatório divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda nesta terça-feira (22/9).
Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), atualmente a inflação acumulada de 12 meses está em 4,22%, dentro da meta, de 3%, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta possui banda de tolerância de 1,5% para cima ou para baixo.
De acordo com a pasta, a revisão decorre dos resultados dos dados do IPCA, que ficaram abaixo do projetado anteriormente.
"Especialmente no grupo de alimentação no domicílio e, em menor medida, no de serviços. A revisão também incorpora a melhora das expectativas de inflação para 2026, a manutenção da taxa Selic em patamar contracionista ao longo do ano e a desaceleração esperada da atividade econômica no segundo semestre de 2026".
A Fazenda disse ainda que a nova projeção já considera fatores inflacionários, como o El Niño, que pode pressionar os preços dos alimentos, embora seus efeitos mais significativos devam se concentrar na safra de 2027.
Além disso, a pasta informou que a projeção não incorpora as medidas recentes de alívio nos preços dos combustíveis, como os subsídios e desonerações anunciados pelo governo.
Para 2027, no entanto, houve revisão para cima, saindo de 3,6% para 3,8%, levando em consideração os efeitos de um El Niño mais intenso sobre a safra do próximo ano e os preços do brent, que superam US$ 100 por barril.
Produto Interno Bruto
A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 foi reduzida para 2%. Também houve redução nas projeções para 2027, que saiu de 2,5% para 2,3%.
Segundo a pasta, a redução em 2026 está relacionada aos juros altos e a inadimplência, que afetam setores como serviços e comércio, no entanto, a agropecuária ajuda a segurar os resultados.
"O endividamento das famílias permaneceu estável em proporção da renda entre maio e junho - próximo de 49,8% - enquanto o comprometimento da renda familiar com o serviço da dívida alcançou, em junho, o maior patamar desde o início da série, de 28,9% (ou 26,6% excluído o financiamento imobiliário), refletindo o custo elevado do crédito", afirmou o relatório.
De acordo com a SPE, o cenário limita a conversão dos ganhos reais de renda observados no aquecimento do mercado de trabalho em consumo, ou seja, mesmo que os níveis de desemprego estejam em baixa, isso não se converte em consumo, já que os níveis de endividamento estão altos.
"Ainda que o endividamento das famílias siga estável em proporção da renda, o comprometimento com o serviço da dívida atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre, o que limita a conversão do avanço da massa de rendimentos em consumo".
O ministério explica que, em 2026, o investimento tende a ganhar impulso de forma mais gradual, sustentado pela importação de bens de capital, ainda que a Selic terminal mais elevada neste ano modere esse ritmo.
Com relação ao cenário externo, a SPE afirma que os resultados observados na balança comercial ao longo do ano sustentam a expectativa de contribuição positiva das exportações líquidas para 2026, ainda que com um impulso menor do que o projetado anteriormente.
Para o período de 2028 a 2030, a projeção permanece em torno de 2,6% ao ano. De acordo com a pasta, o cenário incorpora os impactos graduais das reformas estruturais em curso e de iniciativas voltadas à transição para uma economia de baixo carbono e à reindustrialização, com crescimento próximo ao potencial estimado para a economia brasileira.
metropoles