O encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, coloca o agronegócio no centro das negociações entre as duas maiores economias do mundo. A reunião ocorre nesta quarta-feira (23), durante a visita de Xi aos EUA, e pode envolver temas como soja, minerais críticos, terras raras e inteligência artificial.
As decisões tomadas pelos dois governos podem influenciar as rotas de exportação da soja e os preços internacionais da commodity, com possíveis reflexos para produtores brasileiros.
A China é o principal parceiro comercial do Brasil e tem grande peso nas exportações brasileiras de soja. Durante o período de conflitos comerciais entre Washington e Pequim, os chineses ampliaram a participação do Brasil como fornecedor do produto.
Em 2025, o Brasil produziu quase 180 milhões de toneladas de soja, das quais cerca de 80 milhões foram destinadas à China, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
Compras chinesas dos EUA
Dados da Administração Geral de Alfândegas da China mostram que, entre janeiro e agosto deste ano, as importações de soja dos Estados Unidos caíram 34%. No mesmo período, as compras do produto brasileiro cresceram 5%, chegando a 55,14 milhões de toneladas.
A China, porém, mantém um compromisso de comprar 25 milhões de toneladas de soja norte-americana por ano até 2028. Até agosto, cerca de 12 milhões de toneladas haviam sido adquiridas.
Segundo Raphael Bulascoschi, analista de inteligência de mercado da StoneX, a continuidade das compras chinesas, mesmo com preços maiores, pode estar relacionada às negociações políticas e comerciais entre os dois países.
Para Yedda Monteiro, especialista em inteligência de mercado da Biond Agro, uma eventual mudança nas tarifas que torne a soja dos EUA mais competitiva poderia alterar a distribuição das compras chinesas.
A especialista avalia que uma negociação entre Washington e Pequim não deve retirar imediatamente o espaço da soja brasileira, mas pode modificar a participação de cada fornecedor e influenciar os preços do produto.
Brasil pode buscar novos mercados
O presidente executivo da Abiove, André Nassar, afirmou que um eventual aumento das compras chinesas de produtos agrícolas dos Estados Unidos seria negativo para o Brasil.
Nassar também destacou que a China vem ampliando a produção doméstica de soja para reduzir a dependência das importações. Para ele, o Brasil precisa estimular novos usos para a produção nacional, incluindo o consumo interno e a indústria de biocombustíveis.
Outros produtos também entram nas negociações
Além da soja, outros produtos do agronegócio podem fazer parte das discussões entre Trump e Xi. Em maio, após uma visita à China, Trump afirmou que o governo chinês havia se comprometido a aumentar em US$ 17 bilhões as compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos. O compromisso, porém, não foi oficializado pelo governo chinês.
Analistas avaliam que a retirada da sobretaxa de 10% aplicada pela China poderia ser importante para avançar nas negociações. Também há possibilidade de novos incentivos comerciais envolvendo produtos como sorgo e milho.
Com isso, as decisões tomadas durante o encontro entre os líderes podem influenciar o comércio agrícola entre EUA e China e, indiretamente, o mercado brasileiro de soja.
Metrópoles