O governo federal lançou nesta segunda-feira (28) um plano de dez anos para ampliar o conhecimento sobre o subsolo brasileiro e identificar áreas com potencial para minerais críticos e estratégicos. O investimento estimado é de R$ 3,3 bilhões.
Elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) e pelo Ministério de Minas e Energia (MME), o Plano Decenal de Geofísica vai definir as regiões que terão prioridade nos levantamentos realizados no país.
A primeira etapa deve concentrar os trabalhos em locais que já possuem histórico de mineração ou indícios de ocorrência mineral. Entre as áreas citadas estão a Província Borborema, o Arco Magmático de Goiás, o Alto Paranaíba e o Quadrilátero Ferrífero.
O planejamento prevê diferentes tipos de levantamentos. No embasamento cristalino, serão realizados 61 projetos, com investimento estimado em R$ 1,5 bilhão ao longo de dez anos. Já as províncias minerais específicas devem receber cerca de R$ 620 milhões, enquanto as bacias sedimentares terão previsão de aproximadamente R$ 1,2 bilhão.
Os estudos podem ajudar a identificar áreas de interesse para recursos como petróleo, gás natural, hidrogênio, urânio, fosfato e outros minerais.
O plano ainda será colocado em consulta pública. Empresas, associações e outras instituições poderão apresentar sugestões sobre as regiões que devem ser priorizadas.
Segundo o SGB, os levantamentos devem ampliar a quantidade de dados públicos, reduzir incertezas na pesquisa mineral e dar mais segurança para empresas interessadas em investir no setor.
Atualmente, cerca de 28% do território brasileiro possui mapeamento geológico na escala 1:100.000. Nas áreas consideradas de alto potencial mineral, a cobertura chega a aproximadamente 52%. A meta é elevar esse percentual para 75% nos próximos quatro anos.
Para esse período, estão previstos cerca de R$ 1,26 bilhão para ampliar o mapeamento geológico, os levantamentos geofísicos e os estudos geoquímicos nas áreas consideradas prioritárias.
A geofísica permite estudar características do subsolo sem a necessidade de perfurar grandes áreas. Na aerogeofísica, por exemplo, aeronaves equipadas com sensores coletam informações sobre propriedades das rochas, como magnetismo e gravidade.
Esses dados ajudam a encontrar regiões que apresentam características diferentes do entorno e que podem indicar áreas de interesse mineral. No entanto, uma anomalia não significa necessariamente a existência de uma jazida. Os locais selecionados ainda precisam passar por estudos, coleta de amostras e, posteriormente, sondagens.
O governo também poderá contar com uma nova fonte de recursos após a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A legislação prevê que empresas do setor destinem parte de sua receita para pesquisa, desenvolvimento e inovação, incluindo iniciativas relacionadas ao mapeamento geológico e à pesquisa mineral.
CNN Brasil