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Fim da 6x1 ou pagamento por hora: entenda as propostas de Lula e Flávio

Lula prevê 40 horas semanais e duas folgas sem redução salarial; Flávio aposta em jornada negociada e pagamento proporcional às horas trabalhadas


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O fim da escala 6x1 voltou ao centro do debate no Senado nesta terça-feira (6), quando começou a discussão da PEC 221/2019, que prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado e sem redução de salário.

A proposta é defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e estabelece uma mudança gradual na jornada. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato da oposição, defende uma alternativa baseada no pagamento por hora e na negociação direta entre trabalhadores e empregadores.

As duas propostas partem de modelos diferentes para definir a jornada de trabalho.

O que prevê a proposta apoiada por Lula

A PEC 221/2019 reduz o limite da jornada de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de repouso remunerado, um deles preferencialmente aos domingos. A mudança não prevê redução salarial.

A transição seria gradual. A jornada passaria para 42 horas dois meses após a promulgação da emenda e chegaria às 40 horas um ano depois. As duas folgas semanais começariam a valer já no segundo mês.

A proposta permite ainda que acordos coletivos flexibilizem as escalas, desde que seja mantido pelo menos um dia de descanso por semana.

Como funciona a proposta defendida por Flávio

A PEC 12/2026, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, propõe um modelo de jornada flexível. O texto foi assinado por Flávio Bolsonaro.

Nesse formato, a jornada poderia ser estabelecida por acordo individual, convenção coletiva ou negociação direta entre empregado e empregador.

A remuneração seria calculada conforme as horas trabalhadas, tomando como referência o salário mínimo ou o piso da categoria. Férias, 13º salário e FGTS também seriam proporcionais à jornada.

Por que há apoio empresarial à proposta

A proposta recebeu apoio de entidades empresariais, que argumentam que a redução obrigatória da jornada sem diminuição salarial elevaria os custos das empresas.

Entre os argumentos estão a necessidade de novas contratações ou do pagamento de horas extras para manter estabelecimentos que funcionam durante toda a semana e o aumento do custo de cada hora trabalhada.

Já o modelo de pagamento por hora permitiria às empresas ajustar a quantidade de trabalhadores e horas conforme a demanda. A proposta também amplia o peso da negociação individual entre empregado e empregador.

A Fiesp e outras entidades empresariais defendem que a jornada não seja fixada pela Constituição. A CNI estima que a redução da jornada poderia provocar aumento de preços entre 6% e 8% e alerta para possíveis impactos sobre a informalidade.

O que dizem os defensores de cada proposta

Quem apoia a redução da jornada argumenta que a mudança pode aumentar o tempo disponível para descanso, convivência familiar e outras atividades, especialmente entre trabalhadores de baixa renda.

Já Flávio Bolsonaro defende que o trabalhador tenha maior liberdade para definir sua jornada, citando, entre outros exemplos, pessoas que precisam reduzir o número de horas trabalhadas para conciliar emprego e cuidados com os filhos.

Críticos da PEC 12/2026 afirmam que a proposta não estabelece um número mínimo de horas contratadas, o que poderia reduzir a renda e, consequentemente, os valores de férias, 13º salário e contribuição previdenciária.

Do outro lado, críticos da PEC 221/2019 questionam o prazo para implantação da mudança e apontam que outros países adotaram períodos de transição mais longos.

Próximos passos

A PEC 221/2019 começou a ser discutida no Plenário do Senado nesta terça-feira. Antes da votação em primeiro turno, são previstas cinco sessões de discussão. Depois, caso seja aprovada, serão necessárias outras três sessões antes do segundo turno. A proposta precisa de pelo menos 49 votos em cada turno.

A PEC 12/2026, por sua vez, ainda aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Metrópoles


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