Seis integrantes do Comando Vermelho foram alvo de mandados de prisão preventiva por suspeita de participar da tortura e morte de Antônio Cosmo Martins de Barros, de 34 anos, em Fortaleza. O crime ocorreu em janeiro, após o homem ser acusado por moradores de ter abusado sexualmente de uma adolescente autista de 13 anos.
A operação da Polícia Civil foi realizada na quarta-feira (23). Cinco dos suspeitos estavam em liberdade e foram presos nos bairros Quintino Cunha e Olavo Oliveira. O sexto alvo, Breno Sousa Andrade, conhecido como Bê e apontado pela investigação como uma liderança do Comando Vermelho na comunidade, já estava preso por outro crime e recebeu um novo mandado de prisão.
Outros dois denunciados são considerados foragidos. A polícia não informou quais dos suspeitos foram presos entre os nomes listados no processo.
Homem foi torturado antes de ser morto
Segundo a investigação, Antônio Cosmo estava em casa quando criminosos invadiram o imóvel e começaram a agredi-lo. Ele teria sido arrastado pelas ruas até as margens do Rio Maranguapinho, enquanto continuava sendo espancado.
Testemunhas relataram que a vítima chegou a pedir que a adolescente fosse chamada para esclarecer que não havia cometido o abuso.
Conforme a investigação, Antônio foi torturado com pedras e facas ainda vivo. Ele sofreu graves ferimentos, incluindo lesões nos membros e na região do tórax.
Depois, o corpo foi jogado no Rio Maranguapinho. Os suspeitos retornaram à comunidade e, segundo a denúncia, confessaram o assassinato no meio de uma praça e proibiram os moradores de chamar a polícia.
O corpo foi localizado no dia seguinte, após uma denúncia anônima, e retirado da água pelo Corpo de Bombeiros.
"Tribunal do crime"
De acordo com o Ministério Público do Ceará (MPCE), o assassinato teria sido determinado por uma liderança da facção após a acusação de estupro chegar aos integrantes do grupo.
A denúncia aponta que pelo menos sete adultos e um adolescente participaram do crime. A Justiça recebeu a denúncia contra oito adultos pelos crimes de homicídio, corrupção de menores e integração de organização criminosa.
Os mandados de prisão foram expedidos em 17 de setembro, após o MPCE apresentar a denúncia.
Um adolescente de 16 anos também teria participado do assassinato. Ele foi apreendido em agosto e encaminhado à 5ª Vara da Infância e Juventude, mas não está entre os denunciados no processo de homicídio apresentado pelo MPCE.
Segundo o Ministério Público, a vítima não passou por qualquer investigação antes de ser atacada e teria insistido que era inocente. Para o órgão, a decisão de substituição do processo legal pelo chamado "tribunal do crime" agravou a situação.
A investigação continua para localizar os dois denunciados que permanecem foragidos e esclarecer a participação individual de cada envolvido.
G1 Ceará