VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
A anistia ao 8 de Janeiro, tema que dá dor de cabeça a Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara, também tem sido um dos principais problemas do presidente da Casa nas redes sociais, segundo relatórios de seu partido.
Desde antes da eleição de Motta ao comando da Câmara, o Republicanos contratou uma empresa para fazer monitoramento das redes sociais do deputado paraibano, ao custo de cerca de R$ 100 mil por mês.
Segundo os levantamentos, divulgados pela sigla na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, as menções negativas a Motta são, em sua imensa maioria, relacionadas a posições dele sobre o 8 de Janeiro.
Entre janeiro e fevereiro, por exemplo, Motta foi alvo de críticas de influenciadores da esquerda por afirmar que os atos "não foram uma tentativa de golpe". O relatório destaca o alto número de réplicas dessas críticas.
"Foram monitoradas críticas a Hugo por dizer que 8 de Janeiro não foi tentativa de golpe", aponta um dos relatórios aos quais a coluna teve acesso.
Em um dos levantamentos, há um pedido de atenção às postagens de Deltan Dallagnol feitas antes da eleição para o comando da Câmara, nas quais o ex-procurador afirmava que Motta seria contra a anistia.
"As postagens mais engajadas nas últimas 24h vieram de Deltan Dallagnol. O (ex) deputado federal afirma que Hugo Motta não vota a favor da anistia dos presos de 8 de Janeiro e ainda afirmou que, com Davi Alcolumbre e Hugo Motta, o Congresso continuará subjugado por um STF que abusa contra as liberdades, censura e usurpa as funções do Congresso. As publicações já receberam cerca de 150 mil interações no Instagram e 4 mil réplicas no X", diz um dos relatórios.
Há também alertas sobre a posição da direita. Em um caso, pede-se atenção a uma postagem replicada do deputado Gustavo Gayer (PL-GO), explicando que votou em Motta porque a anistia deixaria Jair Bolsonaro elegível.
"O vídeo do deputado Gustavo Gayer afirmando que votou em Hugo Motta porque há um acordo que deixará Bolsonaro elegível recebeu 370 mil visualizações", registra o documento.
Dor de cabeça recorrente
As falas sobre anistia e 8 de Janeiro continuaram assombrando Motta em março. Relatório feito entre 21 e 24 daquele mês mostra reações negativas ao discurso do presidente da Câmara de que não há perseguidos políticos no Brasil.
"Está circulando um vídeo na internet contra Motta que já recebeu 300 mil visualizações apenas no X: ‘Mãe de exilado político vai para cima de Hugo Motta por ter dito que não existem exilados ou perseguidos no Brasil! Eu tenho testemunhas da mentira de Hugo Motta. Meu filho ficou preso 7 meses na Papuda! É um jovem psicólogo infantil maravilhoso'", diz um dos alertas.
Outro aviso, também de março, reforça que perfis ligados à direita pediam para que o vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), aproveitasse a viagem de Motta ao Japão, acompanhando Lula, para pautar a anistia.
"Perfis alinhados à direita estão pedindo para que o vice do PL paute a anistia e o impeachment durante viagem de Motta e Alcolumbre ao Japão", aponta o relatório.
Em meio ao motim de bolsonaristas que invadiram a mesa diretora do plenário da Câmara no início de agosto, Altineu chegou a afirmar que pautaria a anistia na ausência de Motta, mas acabou recuando da investida.
Os últimos relatórios de monitoramento divulgados, referentes a abril, mostram Motta alvo de uma sequência de menções negativas nas redes, chegando a 65% no dia 15 daquele mês.
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