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Master declarou pagamentos a Temer, Lewandowski e outros políticos; confira

Dados enviados pela Receita à CPI do Crime Organizado apontam repasses milionários também a Fabio Wajngarten e Antônio Rueda


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WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO

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A Receita Federal encaminhou documentos à CPI do Crime Organizado que apontam pagamentos milionários realizados pelo Banco Master a importantes nomes da política brasileira.

Um deles é o ex-presidente Michel Temer, cujo escritório de advocacia recebeu R$ 10 milhões. O ex-presidente afirmou que seu escritório de advocacia foi contratado para "uma atividade jurídica de mediação" e contesta o valor informado pelo banco à Receita. Segundo Temer, seu escritório teria recebido R$ 7,5 milhões.

O Banco Master também pagou R$ 14 milhões à Pollaris Consultoria, de propriedade do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

O escritório Lewandowski Advocacia, por sua vez, recebeu R$ 6,1 milhões em depósitos iniciados em novembro de 2023. A banca pertence à família do ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski. Ele deixou a sociedade em janeiro de 2024, pouco antes de assumir o Ministério da Justiça.

Também foi informado à Receita repasses de R$ 12 milhões à empresa de Bonnie Bonilha, casada com o enteado do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Nos mesmos dados enviados pelo órgão à CPI consta o repasse de R$ 80,2 milhões ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), entre os anos de 2024 e 2025.

O ex-ministro da Fazenda do governo Michel Temer e ex-presidente do Banco Central de Lula, Henrique Meirelles, recebeu R$ 8 milhões pelos serviços prestados ao Master.

Segundo nota enviada à CNN, Meirelles disse que manteve um "contrato de serviços de consultoria sobre macroeconomia e mercado financeiro com o Banco Master, em caráter opinativo, entre março de 2024 e julho de 2025".

Uma empresa do Grupo Massa, pertencente à família do governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD-PR), também aparece nos documentos. Tratam-se de repasses que chegam a R$ 24 milhões - R$ 21 milhões à Massa Intermediação e R$ 3 milhões à Gralha Azul Empreendimentos e Participações.

A assessoria de imprensa do Grupo Massa disse à CNN que a atuação do conglomerado "não se confunde com a conduta de terceiros com os quais manteve relações contratuais" e que o governador Ratinho Jr não faz parte do quadro societário das empresas.

Os dois principais nomes do União Brasil também constam nos dados da Receita. O vice-presidente da legenda e pré-candidato a governador da Bahia, ACM Neto, recebeu R$ 5,45 milhões por meio da A&M Consultoria Ltda. Já o presidente da sigla, Antônio Rueda, recebeu R$ 6,4 milhões do banco de Daniel Vorcaro.

Em nota, o partido critica vazamentos de dados fiscais e diz que "os serviços jurídicos prestados ao conglomerado Master tiveram caráter estritamente técnico, com atuação relevante e devidamente documentada".

Uma empresa do secretário de Comunicação Social do governo de Jair Bolsonaro, Fabio Wajngarten, por sua vez, recebeu R$ 3,8 milhões. O ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro, Ronaldo Bento, também aparece entre os citados e a empresa em que é sócio recebeu pagamento de R$ 6,2 milhões.

Wajngarten disse à CNN que foi apresentado a Vorcaro no primeiro semestre de 2025 e passou a integrar a equipe de defesa do ex-banqueiro.

"Fui apresentado ao Daniel no primeiro semestre de 2025 por meio dos advogados dele, passando a integrar a equipe de defesa dele, da qual faço parte até o presente momento. O contrato tem cláusulas de confidencialidade razão pela qual não pode ser publicizado. Além disso, não sou sequer mais politicamente exposto, já que sai de qualquer cargo público há mais de 5 anos", declarou em nota.

A CNN tenta contato com os demais citados.

*Colaborou Helena Prestes.

CNN Brasil


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