Após turbulências na relação com a Polícia Federal (PF) e com o ministro do STF André Mendonça, o banqueiro Daniel Vorcaro decidiu realinhar sua equipe de defesa e indicar que está disposto a esquentar sua delação premiada.
A mudança de estratégia já começou na sexta-feira (22/5), com a saída do advogado José Luís Oliveira Lima, o Juca. A Andréia Sadi, da GloboNews, o advogado disse que deixou a defesa em "comum acordo" com Vorcaro.
Em 8 de maio, a coluna já tinha noticiado que Vorcaro havia sido aconselhado a destituir Juca, após o advogado entrar em rota de colisão com a PF e com o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo.
Com a saída de Juca, a estratégia da defesa de Vorcaro passa a ser comandada pelo criminalista Sérgio Leonardo. Próximo do dono do Banco Master, o advogado já fazia parte da equipe, mas atuava mais nos bastidores.
Além do realinhamento da defesa, Vorcaro sinalizou, nos bastidores, disposição em reestruturar sua delação premiada, contando mais detalhes e entregando mais personagens envolvidos nos esquemas do Master.
A mudança de estratégia ocorre dias após a PF recusar a proposta de colaboração entregue pelo banqueiro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) seguia analisando o material, mas também cobrou mudanças na delação.
Esse cenário levou André Mendonça a autorizar que Vorcaro fosse submetido a regras de funcionamento ordinárias da Superintendência da PF em Brasília. Com a decisão, a corporação transferiu o banqueiro para uma cela comum.
Aliados do dono do Banco Master dizem que a nova cela seria insalubre. O local não tem banheiro separado. O vaso sanitário é cavado no chão. Também não há chuveiro elétrico. A água sai fria, de um buraco na parede.
A situação levou a defesa de Vorcaro a protocolar um pedido a André Mendonça para que o banqueiro seja transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a chamada "Papudinha".
metropoles