Eleito governador de Rondônia no primeiro turno das eleições de 2026, Marcos Rogério (PL) assumirá o comando do estado em janeiro de 2027.
Ao longo dos próximos quatro anos, o novo governador terá de lidar com problemas que se acumulam em diferentes áreas da administração pública. Entre eles estão as dificuldades na saúde, o avanço da violência, a precariedade da infraestrutura rodoviária, os problemas de saneamento e a regularização fundiária.
O cenário financeiro também deve limitar a capacidade de investimento do governo. Um diagnóstico apresentado pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) aos candidatos durante a campanha apontou os principais desafios econômicos, fiscais e administrativos para o próximo quadriênio.
Orçamento limitado para cumprir promessas
Um dos principais obstáculos será conciliar as promessas feitas durante a campanha com a situação das contas públicas.
De acordo com o diagnóstico apresentado pelo TCE-RO, mais de 90% dos recursos estaduais, o equivalente a R$ 15,05 bilhões, já estão comprometidos com despesas correntes, como pagamento de pessoal e manutenção da estrutura pública. Apenas 8% são destinados a investimentos.
Para 2027, a margem para criação de novas despesas obrigatórias é considerada praticamente inexistente sem compensações ou cortes. Na prática, o governo terá pouco espaço fiscal para ampliar gastos e, ao mesmo tempo, colocar em prática as propostas apresentadas durante a campanha.
O plano de governo de Marcos Rogério também estabelece compromissos de não criar novos impostos, não elevar alíquotas estaduais e não aumentar a carga tributária.
Saúde ainda é um dos maiores problemas
A saúde aparece entre as principais preocupações dos eleitores de Rondônia. Entre os problemas estão as filas para consultas e exames, a demora por cirurgias eletivas, a dificuldade de acesso a atendimento especializado e a estrutura dos hospitais estaduais.
Um dos exemplos é o Hospital João Paulo II, em Porto Velho, que recebe pacientes de diferentes regiões do estado. A construção de um novo hospital de urgência e emergência na capital já foi prometida por administrações anteriores, mas a unidade não chegou a ser entregue.
Avaliações do TCE-RO também apontaram problemas na infraestrutura hospitalar estadual, com unidades operando em condições de desgaste e riscos assistenciais.
Além da estrutura física, o próximo governo terá de enfrentar questões relacionadas à distribuição de profissionais, atendimento no interior, transporte de pacientes e regulação de vagas.
Segurança pública e violência contra mulheres
A segurança pública também estará entre os desafios da nova gestão.
Rondônia registrou aumento de 7,5% nas Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2025, enquanto o número caiu no país.
A violência contra as mulheres é outro ponto de atenção. Rondônia registrou taxa de 2,9 feminicídios para cada 100 mil mulheres em 2025, uma das maiores do país.
A estrutura de atendimento também apresenta limitações. Existem oito delegacias especializadas no atendimento à mulher no estado, mas nenhuma funciona 24 horas. Em Porto Velho, não há uma unidade com sede própria para esse atendimento, e vítimas de violência doméstica e outros crimes de gênero precisam procurar a Unidade Integrada de Segurança Pública (Unisp), na Zona Leste.
O déficit de efetivo é outro problema. Segundo o levantamento citado no texto-base, a Polícia Civil conta com apenas 28,1% do número de policiais previsto em lei. Na Polícia Penal, o percentual é de 35,8%. Já a Polícia Militar possui 57,4% do efetivo previsto.
Além da violência urbana, o estado também enfrenta problemas relacionados às rotas utilizadas para a entrada de mercúrio ilegal, tráfico de drogas e circulação de produtos roubados e furtados.
Estradas e logística
A infraestrutura rodoviária é outro desafio para a próxima gestão.
Segundo o diagnóstico do TCE-RO, cerca de 76% da malha rodoviária de Rondônia não é pavimentada. Apenas 24% possui pavimentação.
A precariedade das estradas também tem impacto econômico: o transporte representa 15,24% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.
O próprio órgão aponta ainda uma baixa capacidade de investimento do Departamento Estadual de Estradas de Rodagens e Transportes (DER). Em 2023, o departamento aplicou R$ 1,03 em obras para cada R$ 1 gasto com a própria manutenção administrativa.
Saneamento continua sendo um problema
O saneamento básico também deve exigir atenção do próximo governo.
Porto Velho permaneceu durante anos entre as cidades com os piores indicadores de saneamento entre os 100 maiores municípios brasileiros. O problema, porém, não se restringe à capital.
A Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd), responsável pelos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em municípios do estado, também enfrenta dificuldades financeiras. Em 2024, a própria companhia informou ter uma dívida de R$ 1,6 bilhão com o fisco federal.
Uma tentativa de transferir os serviços para a iniciativa privada também não avançou. O governo estadual havia lançado uma licitação internacional para uma concessão estimada em R$ 8,47 bilhões, mas o leilão foi cancelado em setembro após nenhuma empresa apresentar proposta.
Regularização fundiária
A regularização fundiária completa a lista de desafios. O problema envolve terras públicas, ocupações antigas, conflitos pela posse e preservação ambiental.
A solução exige definir, em cada caso, se a área é pública ou privada, quem é o ocupante legítimo e se existem sobreposições, unidades de conservação, restrições ambientais ou conflitos de posse.
Também precisam ser consideradas situações envolvendo comunidades tradicionais.
Com problemas acumulados em diferentes setores e um orçamento com pouca margem para novas despesas, a próxima gestão terá de conciliar a necessidade de ampliar serviços e investimentos com as limitações financeiras do estado.
Portal SGC