O presidente Donald Trump anunciou, nesta quinta-feira (16), um cessar-fogo de dez dias entre Líbano e Israel, após diálogo telefônico com o líder libanês Joseph Aoun.
O americano afirmou que teve conversas também com o premiê Binyamin Netanyahu e "esses dois líderes concordaram que, para alcançar a PAZ entre seus países, iniciarão formalmente um cessar-fogo de dez dias às 17h (19h em Brasília)".
"Eu instruí o vice-presidente J. D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, juntamente com o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan 'Razin' Caine, a trabalharem com Israel e o Líbano para alcançar uma PAZ duradoura", disse Trump.
Ele ainda voltou a se referir ao número de guerras que teria resolvido pelo mundo. "Foi uma honra para mim resolver 9 guerras ao redor do mundo, e esta será a décima, então vamos conseguir!", afirmou.
A ligação ocorre depois de Aoun ter rejeitado um pedido dos EUA para uma "ligação direta" com Netanyahu, segundo um funcionário libanês próximo às negociações. Na quarta-feira, Trump havia anunciado que faria uma ligação entre os líderes dos dois países nesta quinta.
O grupo libanês Hezbollah, em guerra com Israel, propôs também na quarta uma trégua de uma semana a Tel Aviv. A proposta, anunciada pela TV Al-Mayadeen, ligada ao grupo, foi analisada pelo gabinete de Netanyahu, segundo integrantes do governo isralense. Não houve definição, no entanto: a ideia do Hezbollah era parar os combates no primeiro minuto desta quinta.
Israel abriu negociações diretas com o Líbano pela primeira vez desde 1993, mas excluiu o Hezbollah. Na terça-feira (14), houve a primeira rodada de conversas, com mediação dos EUA, em Washington.
Netanyahu afirmou que o principal objetivo da conversa é garantir "o desmantelamento do Hezbollah" e, "em segundo lugar, uma paz sustentável alcançada por meio da força". O grupo extremista, por outro lado, se opõe repetidamente às conversas entre os governos.
Segundo a Al-Mayadeen, a trégua proposta pelo grupo foi informada por Teerã, que busca esticar o prazo de seu próprio cessar-fogo com os Estados Unidos — que lançaram uma guerra ao lado de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
Os combates cessaram na semana passada, mas o prazo dado por Donald Trump para um acordo acaba na próxima terça (21). O Irã recebeu uma delegação liderada por Asim Munir, chefe militar do Paquistão - país que sediou a primeira e inconclusa rodada de negociações com os EUA - para enviar nova proposta de conversa com os americanos.
Ainda nesta quinta, o Exército libanês afirmou que ataques israelenses destruíram a ponte Qasmiyeh, que passa sobre o rio Litani, no sul do país, e isolaram a área do resto do Líbano. Segundo o comunicado, as ações mataram uma pessoa e feriram outras três, incluindo "um soldado da unidade estacionada na ponte".
A agência de notícias libanesa NNA já havia relatado a destruição dessa infraestrutura, "a última ponte entre as regiões de Tiro e Sidon". O Exército de Israel afirmou ter ordenado nesta quarta que uma área de cerca de 30 quilômetros da fronteira sul do Líbano até o rio Litani fosse designada como "zona de extermínio" para o grupo Hezbollah.
Israel ocupa partes do sul do Líbano e resiste a qualquer tipo de trégua nos combates com o movimento libanês, argumentando que este continua sendo o principal obstáculo à paz na região.
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