O chefe do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), almirante Brad Cooper, viajou para a Arábia Saudita e se reuniu nesta segunda-feira (14) com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. O encontro ocorreu na cidade de Jedá, segundo informações divulgadas pela mídia estatal saudita.
A visita acontece em um momento de aumento das tensões envolvendo os Houthis, grupo que atua no Iêmen e ampliou seu controle sobre áreas estratégicas do país nas últimas semanas. A organização também voltou a trocar ataques com forças sauditas, aumentando a preocupação com a segurança regional.
Desde a semana passada, os Houthis avançaram sobre novas áreas do Iêmen e passaram a controlar toda a costa do Mar Vermelho, incluindo o Estreito de Bab el-Mandeb, uma passagem considerada importante para o comércio internacional e para o transporte de petróleo.
Arábia Saudita busca apoio dos Estados Unidos
Os governos da Arábia Saudita e dos Estados Unidos não divulgaram detalhes sobre a conversa entre Brad Cooper e Mohammed bin Salman. No entanto, a reunião ocorre poucos dias depois de a Reuters informar que o príncipe herdeiro saudita teria solicitado apoio militar dos Estados Unidos para enfrentar os Houthis.
A possível cooperação ocorre em meio à retomada dos confrontos entre as forças sauditas e o grupo iemenita. Os combates haviam sido reduzidos após uma trégua mediada pela Organização das Nações Unidas (ONU), mas a situação voltou a se deteriorar neste ano.
As hostilidades foram retomadas em julho, depois que forças sauditas foram acusadas de realizar um ataque contra o Aeroporto Internacional de Sanaa, na capital do Iêmen, que está sob controle dos Houthis.
Desde então, os dois lados voltaram a realizar ataques. A intensificação do conflito também aumentou os riscos para rotas utilizadas no transporte de mercadorias e petróleo na região.
Por que sauditas e Houthis estão em conflito?
Os Houthis controlam o norte do Iêmen e outras áreas do país desde 2014. O grupo se tornou uma das principais forças políticas e militares do território e passou a disputar o controle do país com o governo iemenita reconhecido internacionalmente.
A Arábia Saudita apoia o governo reconhecido do Iêmen e, em 2015, formou uma coalizão militar internacional com o objetivo de impedir o avanço dos Houthis.
O conflito, porém, permaneceu durante anos sem uma definição militar. Em 2022, a ONU atuou como mediadora e ajudou a estabelecer um cessar-fogo entre as partes. A trégua conseguiu reduzir parte dos confrontos, mas não encerrou definitivamente a disputa.
Com a retomada dos ataques neste ano, a tensão voltou a crescer e passou a envolver novamente áreas estratégicas para a segurança e o comércio na região.
Bloqueio no Estreito de Bab el-Mandeb
Além dos ataques realizados em território iemenita, os Houthis também impuseram um bloqueio marítimo contra embarcações sauditas no Estreito de Bab el-Mandeb.
A passagem ganhou ainda mais importância para a Arábia Saudita depois que o Estreito de Ormuz foi fechado pelo Irã. Com isso, Bab el-Mandeb passou a ser utilizado pelos sauditas como uma rota alternativa para o escoamento de parte de sua produção de petróleo.
O controle dessa região pelos Houthis aumenta a preocupação com a circulação de navios e com o transporte de petróleo e outras mercadorias. A situação também pode afetar uma das principais rotas marítimas entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico.
Nesse cenário, a visita do chefe do Centcom à Arábia Saudita ocorre enquanto Riad enfrenta uma nova escalada militar contra os Houthis e avalia formas de ampliar sua capacidade de resposta ao grupo.
Embora não tenham sido divulgados os detalhes da reunião entre Cooper e Mohammed bin Salman, o encontro reforça a importância da relação militar entre Estados Unidos e Arábia Saudita diante do agravamento da situação no Iêmen.
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