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"As assombrações ficam aos pés da minha cama", revela ex-diretor de prisão

Ron McAndrew comandou uma penitenciária da Flórida e participou de execuções antes de passar a atuar contra a pena capital


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Ron McAndrew, ex-diretor da Penitenciária Estadual da Flórida, nos Estados Unidos, passou de funcionário responsável por execuções a um crítico da pena de morte. Aos 88 anos, ele afirma se arrepender de ter participado do processo e hoje usa sua experiência para auxiliar condenados que ainda estão no corredor da morte.

McAndrew assumiu a direção da penitenciária em 1996. Na época, o local era responsável pelas execuções de condenados à morte no estado. Ele liderou equipes que participaram de três execuções por eletrocussão na Flórida e depois foi enviado ao Texas para acompanhar outras cinco execuções por injeção letal.

Segundo o ex-diretor, sua visão sobre a pena de morte começou a mudar quando passou a analisar mais profundamente os casos dos presos. Um deles foi Leo Jones, condenado pelo assassinato de um policial em Jacksonville. Jones afirmava ser inocente e dizia que sua confissão havia sido obtida sob pressão.

McAndrew conta que questionou a investigação do caso, mas recebeu a orientação de superiores para não interferir nos processos. Jones acabou sendo executado em 1998.

Com o passar dos anos, o ex-diretor passou a carregar lembranças das execuções que supervisionou. Ele afirma que começou a questionar suas próprias decisões e a forma como o sistema lidava com os condenados.

Em 2002, McAndrew se aposentou. Desde então, passou a viajar pelos Estados Unidos para falar contra a pena de morte e colaborar com recursos jurídicos de pessoas condenadas.

"Eu realmente acreditava na pena de morte. Hoje, não consigo acreditar que acreditei nisso", afirmou McAndrew à CNN.

Atualmente, ele diz considerar seu trabalho de auxílio aos detentos uma das partes mais importantes de sua trajetória. Segundo o ex-diretor, já conseguiu ajudar alguns condenados a deixar o corredor da morte.

CNN Brasil


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