Senadores dos Estados Unidos assinaram uma carta enviada ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, pedindo garantias de que o governo Trump reconheça o resultado das Eleições brasileiras e expressando preocupação por "interferência" do governo americano no processo eleitoral.
O documento, assinado pelos senadores Jeanne Shaheen, Peter Welch e Tim Kaine nessa segunda-feira (28/9), cita que o governo Trump utiliza "pressão diplomática, econômica e política" para "minar a confiança no processo eleitoral brasileiro".
Os senadores, do partido Democrata, questionam na carta se o governo "se comprometerá a reconhecer o resultado oficial" das Eleições e a "manter relações diplomáticas normais" com o próximo presidente brasileiro eleito, independentemente de quem seja.
No documento, os parlamentares americanos citam ações do governo Trump direcionadas ao Brasil que eles consideram interferência no processo eleitoral, como as sanções impostas contra produtos brasileiros em 2025, que os senadores classificam como uma tentativa de "moldar o veredito do Supremo Tribunal Federal do Brasil" no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que o condenou a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A carta também cita como tentativa de interferência as tarifas adicionais impostas por Trump ao Brasil neste ano e a nomeação de Darren Beattie para assuntos de Washington relacionados ao Brasil. Os senadores classificam Beattie como um "notório extremista de extrema-direita e supremacista branco" que sinalizava um "compromisso ideológico" de minar as Eleições brasileiras.
"As ações mais recentes do governo apontam para uma tentativa de interferir e, potencialmente, minar as eleições gerais brasileiras de outubro. O recente encontro do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro com o presidente Trump no Salão Oval, realizado em meio a uma tentativa de minimizar um escândalo político interno, ressaltou a disposição do governo em se intrometer nas eleições", diz o documento encaminhado a Marco Rubio.
Preocupação recorrente
Não é a primeira vez que políticos americanos expressam preocupação com a atuação do governo Trump em relação às eleições brasileiras. Na semana passada, um grupo de 31 parlamentares enviou um documento ao governo federal americano o acusando de uma possível interferência e cobrando que os EUA reconheçam o resultado eleitoral do Brasil.
Durante a semana da 81ª Assembleia Geral da ONU, realizada em Nova York, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, também deu declaração no mesmo sentido e afirmou que "teme" interferência de Trump no pleito brasileiro.
"Tivemos uma ‘tarifa Bolsonaro’ de 50%, o que foi cômico. Então eu ficaria muito preocupado com isso (interferência dos EUA)", afirmou Newsom, em resposta ao Metrópoles.
Metrópoles