Sete pessoas (três mulheres e quatro homens) foram presas pela Polícia Civil de Roraima entre quarta-feira (26) e quinta-feira (27), suspeitas de envolvimento na morte de Cauã Vinícius Castro da Silva, de 21 anos. O jovem foi encontrado carbonizado em um terreno no bairro São Bento, na zona Oeste de Boa Vista, no dia 31 de julho.
Segundo a investigação, o crime teria sido motivado por uma disputa entre facções criminosas. Conforme a Polícia Civil, a execução foi determinada durante um chamado "tribunal do crime", realizado na Praça Germano Sampaio.
De acordo com os investigadores, os suspeitos fizeram uma videochamada com lideranças da organização criminosa que estavam fora de Roraima. Durante a conversa, teria sido determinada a morte de Cauã.
A vítima teria integrado uma das facções, mas passou a colaborar com um grupo rival. Após a decisão, o jovem teria sido sequestrado e levado para o bairro São Bento, onde foi morto.
Para tentar eliminar vestígios, os suspeitos atearam fogo no corpo. Os restos mortais foram encontrados por moradores da região, nas proximidades de uma estação de tratamento de esgoto.
Operação Castigare
A Polícia Civil deflagrou a Operação Castigare para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão em seis bairros de Boa Vista: Jardim Olímpico, Cruviana, Laura Moreira, São Bento, Cinturão Verde e Pintolândia.
Durante as diligências, os investigadores descobriram que um dos suspeitos presos também era alvo da própria organização criminosa. Segundo a polícia, ele tinha um mandado de prisão relacionado à morte de Cauã, mas estava foragido após escapar de outro "tribunal do crime", no qual teria sido condenado à morte pelos próprios comparsas.
Outro investigado, que já possuía mandado de prisão pelo homicídio, foi preso em flagrante por tráfico de drogas. Com ele, os policiais encontraram maconha e uma balança de precisão.
Além dos sete adultos presos, um adolescente de 17 anos foi apreendido após ser encontrado com entorpecentes. Segundo a polícia, a casa onde ele estava teria sido utilizada para o "julgamento" de Cauã.
Polícia detalha investigação
Os detalhes da operação foram apresentados durante uma coletiva de imprensa com a participação da delegada-geral da Polícia Civil, Simone Arruda, e da diretora do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), Míriam Di Manso.
A investigação foi coordenada pelo delegado João Evangelista, titular da Delegacia Geral de Homicídios (DGH), com participação dos delegados Thiago Alexandre e Carlos Henrique. A operação também contou com apoio da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) e de núcleos de inteligência.
"É uma dinâmica de violência muito grande dentro dessas organizações. A mesma estrutura que determina a morte de uma pessoa também pode colocar outro integrante como alvo. Esse é um dos aspectos que conseguimos identificar durante a investigação", afirmou João Evangelista.
G1 Roraima