Um entregador de aplicativo foi vítima de agressão verbal enquanto tentava retirar um pedido em uma rede de fast-food localizada no Porto Velho Shopping, na última segunda-feira (24). O caso foi registrado em vídeo pelo próprio motoboy e gerou revolta entre os profissionais da categoria.
A confusão começou quando o motoboy Maicon Maguel Alves Batista chegou ao restaurante para buscar uma encomenda. Segundo ele, o pedido já estava pronto, mas a funcionária que o atendeu reagiu com ignorância e proferiu xingamentos.
"Rapaz, fiquei constrangido, né, meu irmão? Ela falou: 'Não vem com ignorância aqui não que eu vou te bloquear aí'. Meteu a mão... O pessoal ficou tudo me olhando", relatou o entregador.
O vídeo mostra a funcionária utilizando palavrões contra o motoboy. As imagens foram gravadas pelo próprio profissional e circularam entre os entregadores da região, o que motivou uma mobilização imediata da categoria.
Inconformados com a situação, os motoboys se reuniram no ponto de apoio do shopping e decidiram não aceitar mais nenhum pedido do estabelecimento. A paralisação durou todo o dia e afetou diretamente o funcionamento da loja, que ficou sem entregadores para escoar os pedidos.
Durante a tarde, os entregadores foram até o restaurante para cobrar explicações. O gerente do estabelecimento só desceu até o ponto de apoio dos motoboys após perceber que todas as corridas estavam sendo recusadas.
No momento em que a reportagem da RST SC acompanhava a manifestação, ainda não havia acordo entre as partes. Os entregadores estavam em fase de negociação com a gerência.
O presidente da Associação dos Motoboys, Vagner, explicou que a paralisação não tinha o objetivo de prejudicar a empresa, mas sim de garantir respeito à categoria.
"É uma situação que se fosse ao contrário, se fosse ele que estivesse falando aquelas palavras para a funcionária, ele teria saído daqui algemado e preso. Então a gente tá se manifestando para que isso não venha mais acontecer", afirmou.
Os entregadores também reivindicam que os pedidos estejam realmente prontos no momento da retirada. Segundo eles, é comum haver demora de até uma hora para receber as encomendas já pagas pelos clientes.
"A gente faz a entrega na chuva, no sol, com várias situações adversas, correndo risco de acidente de trânsito, porque é o nosso trabalho e nós dependemos disso daí. Mas como a gente não tem vínculo com a empresa, não tem onde fazer uma reclamação", completou Vagner.
Após horas de negociação, a rede de fast-food e a associação dos entregadores firmaram um termo de compromisso no final da noite. A empresa se comprometeu a garantir a prontidão dos pedidos e o respeito mútuo no atendimento. A categoria também se comprometeu com a cordialidade e com a comunicação em casos de alta demanda.
Com o acordo assinado, os motoboys liberaram as entregas do restaurante ainda na mesma noite. As corridas para o estabelecimento foram retomadas após as 18 horas.
Até o fechamento desta reportagem, a rede de fast-food não havia se manifestado oficialmente sobre o caso. A reportagem procurou a assessoria de imprensa da empresa, mas não obteve retorno.
A categoria dos entregadores de aplicativo em Porto Velho afirma que acredita no diálogo e na parceria com os estabelecimentos, mas reforça que situações de desrespeito não serão toleradas.
Natália Figueiredo - Portal SGC