Rondônia

Por que estamos tão cansados? Dr. Aparício analisa os efeitos da hiperconectividade

Em seu livro, o médico discute como excesso de estímulos, cobrança por produtividade e dificuldade de desconexão ajudam a compreender o esgotamento


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Assessoria

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É possível terminar o dia fisicamente parado e, ainda assim, sentir-se completamente exausto.

A explicação para esse paradoxo pode estar menos na quantidade de esforço físico e mais na dificuldade que encontramos para desligar a mente. Mensagens chegam enquanto trabalhamos, notificações interrompem momentos de descanso, conteúdos são consumidos em sequência e até os períodos que antes representavam pausa passaram a ser preenchidos por estímulos. 

Essa é uma das reflexões presentes em Psiquiatria na Era Digital, obra do médico psiquiatra Dr. Aparício Carvalho, que analisa as transformações provocadas pela presença cada vez mais intensa da tecnologia na vida cotidiana. 

Para o autor, compreender os efeitos desse novo ambiente exige ir além da ideia de que celulares ou redes sociais são simplesmente prejudiciais. A questão está também na maneira como passamos a organizar nossas vidas em torno da conexão permanente. 

Uma mente que quase nunca fica em silêncio 

Em um dos pontos centrais da obra, Dr. Aparício aborda a chamada economia da atenção e como diferentes plataformas disputam continuamente um recurso limitado: o nosso foco. 

Alternamos entre conversas, vídeos, notícias, trabalho e redes sociais em poucos minutos. Aos poucos, a interrupção deixa de ser exceção e passa a fazer parte da rotina. 

O impacto não se restringe à produtividade. A dificuldade de sustentar a atenção, a necessidade constante de novos estímulos e a sensação de estar sempre atrasado ou deixando algo por fazer podem contribuir para um estado permanente de tensão. 

Até o descanso entrou na lógica da produtividade 


Essa transformação também aparece na maneira como nos relacionamos com o próprio desempenho. 

Dormir melhor, alimentar-se adequadamente, praticar exercícios e buscar desenvolvimento pessoal são hábitos importantes. O problema surge quando até o autocuidado passa a obedecer à lógica da maximização: é preciso ter o sono perfeito, o melhor rendimento físico, a rotina mais produtiva e aproveitar cada minuto disponível. 

Assim, atividades que deveriam ajudar a aliviar a pressão podem se transformar em novas fontes de cobrança. 

No ambiente acadêmico e profissional, essa dinâmica se torna ainda mais evidente. A comparação permanente proporcionada pelas redes amplia a impressão de que sempre existe alguém produzindo mais, estudando mais ou avançando mais rapidamente. 

Recuperar a capacidade de parar 

Psiquiatria na Era Digital não propõe abandonar a tecnologia. A reflexão apresentada pelo Dr. Aparício Carvalho aponta para outro caminho: reaprender a estabelecer limites dentro de uma realidade que continuará conectada. 

Isso significa compreender que o cérebro também precisa de períodos sem estímulos, que descanso não precisa produzir resultados e que nem todo momento disponível precisa ser preenchido. 

Em uma sociedade que oferece cada vez mais ferramentas para acelerar a vida, talvez um dos desafios contemporâneos para a saúde mental seja justamente recuperar algo aparentemente simples: a capacidade de parar sem sentir que estamos ficando para trás. 

Assessoria


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