Crianças são mais vulneráveis aos efeitos do calor extremo. A combinação de altas temperaturas, baixa umidade do ar e poluição pode levar à desidratação e ao agravamento de doenças respiratórias como asma, rinite e bronquite .
A principal razão está na fisiologia infantil. Crianças têm maior percentual de água no corpo em comparação aos adultos e perdem líquidos mais rapidamente . Além disso, muitas vezes não percebem a necessidade de se hidratar ou os riscos a que estão expostas .
Bebês e crianças com menos de cinco anos são os que correm maior risco de mortalidade e doenças relacionadas ao calor . A desidratação pode ter consequências graves, incluindo danos renais .
Os pais devem ficar atentos a sinais específicos:
A pediatra Isabela Pires explica que a criança pode dar sinais de desidratação antes mesmo de ficar desanimada: "Ela pode ficar extremamente irritada" .
Para crianças a partir de seis meses, a oferta de água deve ser frequente, mesmo quando não pedem . Frutas ricas em água como melancia, melão, laranja e abacaxi também auxiliam na hidratação .
Bebês menores de seis meses devem manter o aleitamento materno exclusivo em livre demanda, pois o leite já supre integralmente a necessidade de hidratação, mesmo em dias quentes .
Sucos naturais e água de coco são boas opções. Refrigerantes e sucos industrializados devem ser evitados, pois o alto teor de açúcar pode aumentar a perda de líquidos .
Manter os ambientes arejados é fundamental. Janelas abertas no início da manhã e à noite ajudam a refrescar a casa; cortinas devem permanecer fechadas nos horários de sol mais forte .
Umidificadores de ar ajudam a reduzir o ressecamento das vias respiratórias e da pele. É essencial fazer a limpeza regular do aparelho para evitar proliferação de fungos e bactérias . Uma alternativa é colocar recipientes com água nos cômodos, dando preferência a bacias com maior superfície de contato com o ar .
Roupas de algodão, leves e soltas permitem a transpiração e evitam o superaquecimento . Tecidos sintéticos devem ser evitados.
Protetor solar com FPS 50 ou superior deve ser aplicado e reaplicado a cada duas horas. Crianças menores de seis meses não devem ser expostas diretamente ao sol .
O uso de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado ajuda a aliviar o calor. A limpeza dos filtros é indispensável para evitar a proliferação de ácaros e fungos que podem irritar as vias aéreas e desencadear crises alérgicas . Especialistas recomendam a limpeza semanal dos equipamentos .
Nunca deixe crianças sozinhas dentro de veículos, mesmo por poucos minutos. A temperatura interna de um carro fechado pode subir mais de 10°C em apenas cinco minutos, com risco de hipertermia fatal .
Evite atividades físicas intensas nos horários mais quentes do dia. Prefira o início da manhã ou o fim da tarde . As escolas também devem adaptar a rotina, garantindo ambientes ventilados, acesso constante a água potável e espaços cobertos para recreação .
Quando procurar atendimento médico
Caso a criança apresente febre, tosse, coriza ou diarreia, o ideal é mantê-la em casa e buscar orientação médica .
Para crianças com asma, rinite ou bronquite, os medicamentos de uso contínuo devem ser mantidos conforme orientação médica . Os sinais de esforço respiratório — respiração ofegante, cansaço extremo, incapacidade de falar entre frases — exigem atendimento imediato .
"Quando a criança apresenta boca seca, prostração ou irritabilidade excessiva, é essencial procurar uma unidade de saúde. Se houver piora do estado geral, a busca por atendimento deve ser imediata", alerta a chefe do Núcleo de Atenção à Saúde da Criança da Semsa Manaus .
Natália Figueiredo - Portal SGC