Uma falha em uma proteína responsável pelo reparo do DNA pode prejudicar o desenvolvimento inicial dos embriões e aumentar o surgimento de mutações genéticas. A conclusão vem de um estudo realizado com camundongos por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com participação de instituições internacionais.
A pesquisa analisou a atuação da RAD51, proteína envolvida na correção de danos no DNA. Os pesquisadores observaram que os ovócitos conseguem se desenvolver e ser fecundados mesmo sem a proteína. O problema aparece nos primeiros dias após a fecundação, quando há uma redução no número de embriões que conseguem continuar o desenvolvimento.
Nos experimentos, os camundongos sem a RAD51 tiveram entre dois e três filhotes, enquanto os animais do grupo de comparação tiveram entre sete e oito descendentes.
Além da redução no número de embriões viáveis, os pesquisadores identificaram uma maior quantidade de alterações genéticas nos embriões que continuaram se desenvolvendo. Parte dessas mutações surgiu após a fecundação e não estava presente nos pais.
Falha no reparo do DNA
O DNA pode sofrer danos durante processos como a divisão celular. Normalmente, as células utilizam mecanismos para corrigir essas alterações com maior precisão.
Quando a RAD51 está ausente, esse reparo pode ocorrer por caminhos alternativos, que unem as partes danificadas sem recuperar corretamente a sequência original. Com isso, aumenta a possibilidade de erros no material genético.
Pesquisas anteriores também apontaram que a produção de proteínas relacionadas ao reparo do DNA pode diminuir com o envelhecimento. Esse processo está associado à redução da fertilidade e ao aumento do risco de alterações genéticas nas gerações seguintes.
Possíveis aplicações
Os pesquisadores avaliam que compreender esse mecanismo pode contribuir para estudos sobre reprodução assistida. Uma das possibilidades seria fornecer a proteína RAD51 ou seu material genético ao óvulo antes da fertilização em laboratório.
A estratégia, porém, ainda precisa ser testada e não representa um tratamento disponível. Segundo os autores, pesquisas futuras poderão avaliar se esse mecanismo pode ajudar a reduzir perdas gestacionais nas fases iniciais e o surgimento de mutações.
O estudo foi publicado em 3 de setembro, na revista Molecular Human Reproduction.
Metrópoles