Duas modelos da Victoria’s Secret chamaram a atenção ao participar do desfile da marca no domingo (18), poucas semanas depois de dar à luz. Barbara Palvin voltou à passarela seis semanas após o parto, enquanto Elsa Hosk participou do evento 12 semanas depois do nascimento do bebê.
A aparição das duas repercutiu nas redes sociais e levantou questionamentos sobre os limites físicos no pós-parto e a pressão para que as mulheres recuperem rapidamente o corpo de antes da gravidez.
Recuperação varia de mulher para mulher
A médica obstetra Fernanda W. Mallmann explica que não existe um prazo único para a recuperação após o parto. O processo depende de fatores como o tipo de parto, as condições da gestação, o condicionamento físico e possíveis complicações.
Após um parto vaginal sem intercorrências, a retomada das atividades cotidianas costuma ocorrer mais cedo. Já a cesariana exige atenção à cicatrização, por ser uma cirurgia abdominal, e pode demandar algumas semanas de recuperação.
Segundo a especialista, as seis semanas de pós-parto são um marco importante, mas não significam que o organismo esteja totalmente recuperado. A musculatura abdominal e o assoalho pélvico, por exemplo, podem precisar de meses para se restabelecer.
Peso das asas levanta questionamentos
Um dos momentos que mais chamaram a atenção no desfile foi a entrada de Elsa Hosk usando asas de aproximadamente 23 quilos, presas por uma estrutura nas costas.
De acordo com Mallmann, carregar esse peso, especialmente com salto alto, pode alterar o equilíbrio e aumentar a exigência sobre a musculatura abdominal, a coluna e o assoalho pélvico. Mesmo após três meses do parto, essas estruturas ainda podem estar em recuperação.
A médica também ressalta que a aparência não indica, necessariamente, que o corpo esteja totalmente recuperado. Uma mulher pode ter voltado ao peso anterior à gravidez e apresentar fraqueza muscular ou alterações no assoalho pélvico.
Pós-parto não deve ser uma competição
A participação das modelos dividiu opiniões. Enquanto algumas pessoas elogiaram o retorno precoce ao trabalho, outras criticaram a valorização de uma recuperação física rápida, vista como um padrão difícil de alcançar para muitas mulheres.
Mallmann explica que, quando não há contraindicações médicas, a retomada gradual das atividades físicas pode trazer benefícios. No entanto, isso não significa que todas as mulheres devam seguir o mesmo ritmo.
A especialista alerta que a pressão para recuperar rapidamente o corpo após a gravidez pode ser prejudicial. Para ela, o pós-parto não deve ser tratado como uma competição, mas como um período em que cada mulher precisa de tempo e condições adequadas para se recuperar com saúde.
Metrópoles