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Fazer política ou fazer gestão: o dilema dos prefeitos brasileiros


É comum, no cenário municipal, a discussão sobre o papel de um prefeito. Ele é um gestor, responsável por administrar os recursos públicos e resolver os problemas da cidade, ou um político, que busca fortalecer sua base e garantir sua reeleição? Embora as duas funções andem de mãos dadas, há uma diferença crucial entre elas, e é na forma como essa diferença se manifesta que reside o sucesso ou o fracasso de uma administração.

A tentação de "fazer política"

O prefeito que se concentra em "fazer política" muitas vezes age de forma a privilegiar interesses de grupo em detrimento do bem-estar coletivo. Isso se manifesta, por exemplo, no excessivo inchaço da máquina pública com a nomeação de funcionários comissionados para atender a acordos e fortalecer bases eleitorais. Essa prática, embora possa garantir apoio político no curto prazo, tem um custo altíssimo para o município.

Ao alocar grande parte do orçamento para o pagamento de salários de cargos de confiança, o prefeito retira da prefeitura a capacidade de investimento em áreas essenciais como saúde, educação, infraestrutura e segurança. Em vez de construir novas escolas, reformar hospitais ou pavimentar ruas, o dinheiro é usado para manter uma estrutura inchada e improdutiva, que atende a interesses pessoais e não aos da população. O resultado é uma cidade estagnada, com serviços públicos precários e que não consegue se desenvolver.

A prioridade de "fazer gestão"

Por outro lado, o prefeito que se concentra em "fazer gestão" tem como prioridade a eficiência e a eficácia na utilização dos recursos públicos. Sua principal meta é resolver os problemas da cidade, e não os de seu grupo político. Esse tipo de gestor toma decisões com base em dados, planejamento e critérios técnicos, e não em acordos.

A boa gestão se traduz em um serviço público de qualidade para a população. O gestor busca otimizar os gastos, cortar despesas desnecessárias e investir em projetos que tragam resultados concretos e duradouros. Isso pode incluir a implementação de novas tecnologias, a busca por parcerias público-privadas, a melhoria da arrecadação de impostos e a transparência na aplicação dos recursos.

A melhor política é a boa gestão

No fim das contas, a melhor forma de fazer política é, de fato, fazendo uma boa gestão. Uma administração eficiente, que melhora a vida das pessoas e oferece serviços de qualidade, é a melhor propaganda política. O prefeito que constrói uma creche, reforma uma unidade de saúde ou melhora a segurança da cidade não precisa de acordos para se reeleger. Sua capacidade de trabalho, seus resultados e o bem-estar que ele proporciona à população são sua melhor campanha.

O desafio, portanto, é quebrar a lógica de que a política é uma atividade de troca de favores. O prefeito tem a responsabilidade de ser um líder, um gestor e um visionário. Ele precisa ter coragem para tomar decisões impopulares, se for preciso, em prol do bem-estar de todos. Em vez de usar a prefeitura para se fortalecer, ele deve usá-la para fortalecer a cidade. É nesse momento que o gestor se transforma em um líder e a política, em um instrumento de transformação social.

Fernando Pereira

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